Mostrar mensagens com a etiqueta Opinião. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Opinião. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 2 de abril de 2025

Epidemia de metáforas kitsch


As metáforas estão em alta. Sim, na literatura sempre estiveram. Na boa literatura, uma boa metáfora diz, muitas vezes, mais do que uma descrição exaustiva. E, além de ser mais elegante, tem quase sempre a vantagem de ser memorável. Isso ajuda imenso e é agradável.

Mas não é por isso que estão agora em alta; é antes por terem invadido o discurso banal quotidiano. Qualquer conversa se tornou demasiado seca e linear se não for polvilhada por umas quantas metáforas. Tudo bem. Só é pena que sejam tantas vezes as mesmas metáforas, tão batidas e pretensamente interessantes. Algumas tornaram-se uma verdadeira epidemia, tão previsíveis quanto irritantes. Pior, são quase sempre sobre o próprio falante, que as usa de modo indisfarçadamente autoelogioso e autocomplacente. E tão kitsch!

Veja-se quantas pessoas dizem querer pensar fora da caixa. Ficamos, assim, a saber que há multidões de pessoas criativas, que fazem questão de pensar de maneira diferente dos outros, capazes de ver o que mais ninguém descortina, e assim por diante. Todas igualmente criativas e irreverentes. Assim, o conteúdo da caixa há-de tornar-se um mistério e voltaremos a precisar urgentemente de quem consiga olhar para dentro dela. Claro que a conversa de se pensar fora da caixa é tantas vezes uma desculpa para não se ter o trabalho de estudar e de compreender o que mal se compreende e precisa de ser compreendido. Afinal, dentro da caixa deve encontrar-se o que de melhor já se conseguiu. A caixa foi enchendo à custa de muitas pessoas persistentes, estudiosas, cuidadosas, curiosas, mas também de algumas pessoas criativas. Essas foram, afinal, casos excepcionais. Mas agora já nos sentimos todos excepcionais, mesmo quando ignoramos o fundamental. Ok, talvez faça bem à saúde sentirmos-nos todos excepcionais. Mas, a ânsia de passarmos por seres excepcionais funciona, tantas vezes, como um apelo ao adorno da metáfora kitsch

Se aquele que se apresenta como criativo diz querer pensar fora da caixa, o que se apresenta como corajoso e ousado — que costuma ser o mesmo — diz querer sair da sua zona de conforto. E, ao querer sair da sua zona de conforto, acaba por entrar, de novo, na zona kitsch. Por que razão haverá tanta gente a querer sair da sua zona de conforto em vez de simplesmente fazer o que pode fazer bem, usando o conhecimento e a experiência adquiridos? Não é mais sensato, produtivo e preferível fazer uma coisa bem ao desperdício e desconforto de fazer outra mal? Para quê sair da sua zona de conforto? Para quê desperdiçar tempo e energias com o que não se sabe como fazer? Para aprender outras coisas? Muito bem, então basta dizer simplesmente que se quer aprender outras coisas. Isso tem a vantagem de nos poupar a mais uma metáfora kitsch. Mas porquê este apelo do discurso kitsch?

O que responder quando não se sabe a resposta? Fingir que se tem uma resposta, dizendo que essa é a pergunta de um milhão de dólares. E depois falar abundantemente da pergunta de um milhão de dólares. Pensando bem, as perguntas de um milhão de dólares são tantas, que podemos ganhar uma fortuna dando-lhes meias-respostas kitsch.

Claro que os verdadeiros intelectuais, os intelectuais profundos, não alinham nisto; não usam as metáforas da populaça. O seu discurso sofisticado evita a superficialidade quotidiana, procurando ir para lá do ruído do mundo, de modo a compreender a espessura dos dias. Este é todo um outro nível. E tive a sorte de, só na última semana, já me ter deparado mais de uma vez com o ruído do mundo, tendo também embatido na dita espessura dos dias. E não, não li nas crónicas do Pacheco Pereira.

Enfim, cada um com o seu kitsch. Eu também tenho o meu. A prova disso é este texto que me deu na cabeça escrever para mim próprio. Também tenho direito, caramba! 

sábado, 15 de setembro de 2018

As melhores 15 sinfonias?

Ao pôr em ordem os CDs que tinha aqui desarrumados, reparei nas várias gravações das sinfonias e ocorreu-me destacar as minhas preferidas. Claro que há muitas sinfonias que não conheço ou de que não tenho qualquer gravação em disco. Penso, contudo, que tenho uma razoável colecção, incluindo diferentes gravações e intérpretes das principais obras.

A foto abaixo mostra as que, na minha atrevida opinião de leigo, são as 15 melhores sinfonias. É um gosto pessoal, claro, e como quase todos os gostos, eles dificilmente surgem do mero acaso, sendo antes cultivados e moldados pelo que se vai ouvindo, lendo e conversando sobre o assunto.

Algumas pessoas mais entendidas poderão achar estranho esta lista não incluir qualquer sinfonia de Haydn, por exemplo, que compôs mais de uma centena. Tenho de confessar que, ao contrário dos seus maravilhosos quartetos de cordas, não sou grande apreciador das sinfonias de Haydn, que me parecem quase todas iguais e algo aborrecidas. 

Em contrapartida, há sinfonias de outros compositores de que também gosto muito e que não couberam aqui. Destaco, por exemplo, a N.º 9 de Dvorak, a N.º 7 de Sibelius, a N.º 6 de Tchaikovsky ou a belíssima N.º 2 de Glazunov, para dar apenas alguns exemplos.

As quinze preferidas são, enquanto não mudar de opinião, as seguintes (por ordem aproximadamente cronológica).


1. Mozart, Sinfonia N.º 41 (Júpiter). O disco da foto inclui as duas últimas sinfonias do génio de Salzburgo, a N.º 40 e a N.º 41, ambas dirigidas por Georg Solti (DECCA). Também gosto muito da N.º 40, mas a grandiosidade da Júpiter parece trazer algo de novo, apontando já para o romantismo.

2. Beethoven, Sinfonia N.º 3 (Heróica). Por falar em romantismo, é nesta sinfonia que o romantismo musical começa por se afirmar claramente. Nesta gravação da foto, a Cleveland Orchestra é dirigida por George Szell (Sony).

3. Beethoven, Sinfonia N.º 9 (Coral). Claro que esta obra impressionante não poderia faltar, numa gravação histórica de Karajan dirigindo a Filarmónica de Berlim (DG).

4. Berlioz, Sinfonia Fantástica. Também esta é uma obra única, aqui numa gravação de referência, com Colin Davis à frente do Concertgebouw de Amsterdão (Philips). Tive o enorme prazer de ver ao vivo Colin Davis, já na fase final da sua carreira, a interpretar esta sinfonia. Foi marcante.

5. Bruckner, Sinfonia N.º 3, na interpretação do legendário Celibidache à frente da Filarmónica de Munique (EMI). Ainda bem que, após a morte do maestro, a família não manteve a sua decisão de não publicar as interpretações que tinha gravado ao vivo. A interpretação de Celibidache destaca-se de quase todas as outras, sobretudo por optar por um tempo claramente mais lento.

6. Bruckner, Sinfonia N.º 4 (Romântica). Não gosto menos desta sinfonia de Bruckner do que da anterior. Neste caso, a gravação que mais aprecio é a de Otto Klemperer com a Orquestra Sinfónica da Rádio da Baviera (EMI).

7. Bruckner, Sinfonia N.º 8. Não podia deixar de incluir esta gigantesca sinfonia de Bruckner, numa gravação histórica (2 CD) de Karajan com a Filarmónica de Berlim (DG). É preciso ter a disposição certa para os mais de oitenta minutos que nos esperam, ainda por cima quando o característico estilo de Bruckner, que parece incluir uma espécie de colagem de mini-andamentos dentro do mesmo andamento — bem, isto é apenas um leigo a falar — exige algum fôlego auditivo. Mas, mesmo os ouvintes mais renitentes serão incapazes de resistir ao incomparável adágio do terceiro andamento. Quase nos faz levitar.

8. Brahms, Sinfonia N.º 4. Todas as quatro sinfonias de Brahms são belíssimas, mas a última consegue destacar-se. A contenção e equilíbrio das sinfonias de Brahms fazem um bom contraste com a opulência de Bruckner e outros compositores românticos. Proponho a gravação da Filarmónica de Viena, dirigida por Carlos Kleiber (DG).

9. Mahler, Sinfonia N.º 2 (Ressurreição). Eis outra sinfonia com mais de oitenta minutos, pelo menos nesta interpretação de Simon Rattle, quando ainda dirigia a Orquestra Sinfónica da Cidade de Birmingham e com o Coro da mesma cidade, contando também com o soprano Arleen Augér e o mezzo-soprano Janet Baker (EMI). Que eu conheça, poucas sinfonias começam de uma forma tão magnética. Esta é uma gravação de referência. Tive a felicidade de ver ao vivo a mesma obra dirigida por Claudio Abbado, com perto de duzentos intérpretes em palco, e também foi memorável.

10. Mahler, Sinfonia N.º 5. Não, não é apenas por causa do famosíssimo adagietto do terceiro andamento (celebrizado também pelo filme de Visconti Morte em Veneza). O meu andamento preferido é, de resto, a envolvente marcha fúnebre do primeiro andamento. A gravação que aqui proponho é a de John Barbirolli à frente da New Philharmonia Orchestra (EMI).

11. Janácek, Sinfonietta. É o caso que me deixa mais dúvidas quanto à inclusão nesta lista. Mas talvez se justifique por ser bastante diferente das sinfonias anteriores, destacando-se o seu optimismo, a começar pela fanfarra do primeiro andamento, em que as cordas não participam. A gravação cuja capa se vê na foto é dirigida Rafael Kubelik, à frente da Orquestra Sinfónica da Radio da Baviera, uma gravação aclamada pela sua qualidade (DG).

12. Stravinsky, Sinfonia em Dó. Foi no período neoclássico que Stravinsky compôs três das suas quatro sinfonias. A Sinfonia em Dó tem dois andamentos compostos quando ainda vivia na Europa e outros dois compostos quando já estava nos Estados Unidos. O disco aqui proposto inclui dois CDs com as quatro sinfonias de Stravinsky, dirigidas pelo próprio compositor e também interessantes gravações de conversas e de ensaios dele com a Columbia Symponhy Orchestra. Na Sinfonia em Dó Stravinsky dirige a CBC Symphony Orchestra (Sony). Além desta sinfonia, destaco ainda, no mesmo disco, a belíssima Sinfonia de Salmos.

13. Chostakovich, Sinfonia N.º 5. Sem dúvida, uma das minhas sinfonias preferidas, a quinta de Chostakovich está aparentemente repleta de ambiguidades desconcertantes: ora parece a voz de uma certa amargura ora de um incontido entusiasmo, ora hesitante ora afirmativa, ora contemplativa e melancólica ora irrequieta, exuberante e até festiva, tudo isso urdido de forma brilhante. Consta que, nesta obra, Chostakovich tinha urgentemente de dar provas de fidelidade a um ideário estético oficial e de, assim, ser também forçado a camuflar as suas próprias convicções musicais. O resultado desta condição artística algo esquizofrénica foi uma verdadeira obra-prima. A gravação aqui proposta é dirigida por Leonard Bernstein à frente da Filarmónica de Nova Iorque (Sony).

14. Messiaen, Turangalîla-Symphonie. Entre os vários aspectos interessantes desta sinfonia em 10 andamentos destaco o uso inovador das ondas Martenot, o instrumento electrónico que mais tarde viria também a ser usado em várias canções do album Kid A, dos Radiohead, assumidamente influenciados pelo compositor francês. Destaco também o belíssimo, envolvente e amoroso sexto andamento, intitulado precisamente Jardin du sommeil d'amour. No disco aqui proposto a Royal Concertgebouw de Amsterdão é dirigida por Riccardo Chailly (DECCA).

15. Górecki, Sinfonia N.º 3. Termino com aquela que é, sem dúvida, a mais popular sinfonia composta no último meio-século, um verdadeiro best seller musical em vários países. Depois de uma fase mais vanguardista, como quase todos os compositores da sua geração, o compositor polaco envereda nesta sinfonia em três andamentos pela composição tonal. O resultado é uma obra simultaneamente intensa e apaziguadora. O segundo andamento, cantado neste disco pelo soprano Dawn Upshaw, é talvez a melhor ilustração do nome por que esta sinfonia também é conhecida: Sinfonia das Canções Tristes. Aqui David Zinman dirige a London Sinfonietta (Elektra Nonesuch).

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Os 100 melhores de sempre?

Um amigo que se considera melómano dizia-me há tempos não ter paciência para a chamada música rock e seus derivados. Parecia-lhe quase toda igual e quase toda primária. Reconheceu haver algumas excepções, como sempre existem, mas que quase tudo o resto que ouvia por aí acidentalmente era pouco mais do que ruído desinteressante.

Para começar, concordei que a maior parte da música que se ouve por aí é desinteressante. Mas também acrescentei que isso não é uma especialidade da música rock. Provavelmente, a maior parte de tudo o que se cria, seja em que área e de que género for, é pouco estimulante: a maior parte dos filmes, das peças de teatro, das esculturas, das pinturas, dos livros, dos concertos são para esquecer. E isso não me parece trágico, por duas razões principais: a primeira é que decorre da própria natureza da criação produzirem-se muitas obras falhadas e sofríveis antes de se conseguir algo notável e duradouro; a segunda é que a quantidade de obras criadas é tanta, que mesmo uma pequena percentagem de casos bem-sucedidos é mais do que suficiente para não termos razões de queixa.  

Também concordo que a maior parte da música rock (mas não só a música rock) se imita a si mesma. Mas já não concordo que não haja diversidade em quantidade suficiente. E também não concordo que ser primária, seja lá isso o que for, tenha de ser um defeito. Não vejo por que razão não poderá haver boa música primária, secundária ou terciária. Há boa música e má música de todas as maneiras e feitios, seja ela simples ou complexa, enérgica ou contemplativa, exigente ou acessível. Por isso, também não consigo descortinar uma boa justificação para a ideia de que apenas certos géneros musicais são dignos de atenção, embora admita que certos géneros musicais mais facilmente esgotam os seus recursos criativos. Seja como for, o que torna a música boa ou má não é certamente o seu género musical.

O meu amigo acabou por me dar o benefício da dúvida e pediu-me para lhe indicar uma boa variedade de discos que o pudessem convencer a ouvir música rock, sem ter de apanhar com todo o entulho musical que por aí circula. Para satisfazer o seu pedido, decidi ir fazendo aos poucos uma lista dos que penso serem os 100 melhores discos da história do rock (nalguns casos são simplesmente os mais representativos de um dado sub-género), procurando dar uma ideia de toda a diversidade de estilos, tendências e influências que se pode encontrar (folk, country, blues, jazz, soul, pop, electrónico, progressivo, alternativo, punk, hard, kraut, etc.). Claro que se voltasse a fazer a lista daqui a uns dias (acabei de fazer agora mais duas alterações), ela já seria diferente, até porque há muitos outros discos excelentes que não couberam nesta. Mas diria que em 90% dos casos não haveria alteração. 

Uma curiosidade: de acordo com esta lista, que exprime a minha avaliação pessoal, os três melhores anos foram os de 1967, 1977 e 1980. Admitem-se, e até se incentivam, discordâncias.

1965
            1.    Bob Dylan, Highway 61 Revisited
            2.    The Beatles, Rubber Soul
            3.    Otis Redding, Otis Blue

1966

            4.    The Beatles, Revolver
        5.    The Beach Boys, Pet Sounds

1967

            6.    The Beatles, Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band
            7.    The Velvet Underground and Nico
            8.    The Doors, The Doors
            9.    Leonard Cohen, Songs of Leonard Cohen
           10.  Jimi Hendrix Experience, Are You Experienced?
           11.  The Kinks, Something Else by the Kinks

1968
           12. Van Morrison, Astral Weeks

1969

            13. Fairport Convention, Liege and Lief
            14. The Beatles, Abbey Road
            15. King Crimson, In The Court of the Crimson King
            16. Led Zeppelin, II 
            17. The Flying Burrito Brothers, The Gilded Palace of Sin

1970

            18. Simon and Garfunkel, Bridge Over Troubled Water
            19. Pink Floyd, Atom Heart Mother
            20. Van Der Graaf Generator, H To He Who Am The Only One
            21. Derek & the Dominos, Layla and Other Assorted Love Songs

1971

               22. Joni Mitchell, Blue 
            23. The Rolling Stones, Sticky Fingers
            24. The Who, Who’s Next
            25. David Bowie, Hunky Dory

1972

              26. Can, Ege Bamyasi
           27. David Bowie, The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The    
                 Spiders from Mars
           28. Deep Purple, Machine Head
           29. Yes, Fragile
           30. Genesis, Foxtrot
           31. Jethro Tull, Thick as a Brick
           32Nick Drake, Pink Moon
           33. Lou Reed, Transformer

1973

              34. Frank Zappa, Over-Nite Sensation
           35. Stevie Wonder, Innervisions
           36. Gentle Giant, In a Glass House
           37. Genesis, Selling England by the Pound
           38. Pink Floyd, The Dark Side of the Moon

1974 
           39. Kraftwerk, Autobahn
           40. Tangerine Dream, Phaedra
           41. Electric Light Orchestra, Eldorado

1975

              42. Roxy Music, Siren
           43. Brian Eno, Another Green World
           44. Bruce Springsteen, Born To Run
           45. Patti Smith, Horses

1976
           46. Tom Waits, Small Change

1977

              47. Television, Marquee Moon
           48. Talking Heads, 77
           49. Brian Eno, Before and After Science
           50. Kraftwerk, Trans Europe Express
           51. Sex Pistols, Never Mind the Bollocks
           52. The Clash, The Clash
           53. Ian Dury and The Blockheads, New Boots and Painties

1978
           54. Talking Heads, More Songs About Buildings and Food
           55. Television, Adventure
           56. Patti Smith, Easter
       57. Annette Peacock, X-Dreams
           58.  Blondie, Paralel Lines
           59. The Police, Outlandos D’Amour

1979

                60. The Clash, London Calling
           61. Elvis Costello, Armed Forces
           62. Joe Jackson, Look Sharp!
           63. Nina Hagen Band, Nina Hagen Band
           64. The Durutti Column, The Return of the Durutti Column

1980

                65. The Feelies, Crazy Rythms
           66. Joy Division, Closer
           67. Young Marble Giants, Colossal Youth
           68. Talking Heads, Remain in Light

1981
           69. Romeo Void, It´s a Condition

1982

              70. John Cale, Music For a New Society
           71. Laurie Anderson, Big Science

1984 
72. Echo and The Bunnymen, Ocean Rain
73. Cocteau Twins, Treasure
74. Lloyd Cole and The Commotions, Rattlesnakes

1985

75. Tom Waits, Rain Dogs
76. Prefab Sprout, Steve McQueen
77. The Style Council, Our Favourite Shop
78. The Jesus and Mary Chain, Psychocandy
79. Einsturzende Neubauten, ½ Mensch
80. The Cure, The Head on the Door

1986

              81. David Sylvian, Gone to Earth
           82. The Smiths, The Queen is Dead
   
1987
           83. The Smiths, Strangeways Here We Come

1988
           84. Sonic Youth, Daydream Nation

1989

            85. The Blue Nile, Hats
            86. The Stone Roses, The Stone Roses
            87.  The Young Gods, L’Eau Rouge
            88. Pixies, Doolittle

1992
            89. Rage Against The Machine, Rage Against The Machine


1993
     90. Bjork, Debut

1994
            91. Jeff Buckley, Grace

1995
            92. Blur, The Great Escape

1996
      93. The Divine ComedyCasanova

1997 
            94. Radiohead, OK Computer
            95. Nick Cave and The Bad Seeds, The Boatman's Call

2001 
      96. The Strokes, Is This It

2003
97. Opeth, Damnation

2010
98. Field Music, Measure

2011 
99. PJ Harvey, Let England Shake


2023 
100. Daft Punk, Random Access Memories (10th Anniversary Edition)