segunda-feira, 16 de Junho de 2014

Boas Férias!

Espero que, ao contrário do que diz o título desta bela canção de P J Harvey, encontrem muita luz e muito sol nos lugares que procurarem (se for essa a ideia, claro). E boa sorte para os que ainda vão ter de fazer exames.

terça-feira, 10 de Junho de 2014

Humano ou não?

Aqui fica, com a devida autorização da sua autora, Daniela Cabrita, um pequeno ensaio sobre o filme Blade Runner: Perigo Iminente, de Ridley Scott.


Será Deckard humano ou será replicante?
Daniela Cabrita
Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes
Maio de 2014
11º ano, turma M de Filosofia

Neste ensaio discute-se se Deckard, uma personagem do filme Blade Runner – Perigo Iminente, será humano ou replicante. Defendo que Deckard é um replicante.
     No filme, distinguia-se um ser humano de um replicante recorrendo à utilização de uma máquina de teste chamada “Voight-Kampff”. De outra forma, por exemplo, recorrendo ao ADN, os replicantes seriam também considerados humanos. Deckard, que deteta a diferença entre humanos e replicantes recorrendo a esse teste, depara-se com Rachel, que pensa ser humana, quando na realidade não o é. A situação de Rachel pode muito bem assemelhar-se à de Deckard: quem é que lhe garante que ele não é também um replicante? À medida que o filme vai avançando, são vários os fatores que me levam a crer que Deckard é um replicante. Por exemplo, quando Rachel lhe pergunta se este alguma vez realizou o tal teste, este nunca lhe chega a responder. Para além disso, Deckard é quase inexpressivo, neutro, e praticamente não reage a quase tudo o que o envolve. As atitudes que ele tem não condizem com o que, aparentemente, um humano sentiria na mesma situação. Além disso, Gaff (uma espécie de vigilante dos caçadores de replicantes) disse significativamente a Deckard que este fez um “trabalho de homem”. O que quereria ele dizer com isso? Para mim, esta é uma frase bastante importante e que nos pode levar a pensar em todo o filme.
     Aliado a isto está o facto de Deckard ter encontrado o origami de um unicórnio, que já tinha aparecido nos seus sonhos, e que pode ser uma prova de que aquilo pode ser apenas uma memória implantada. Portanto, como pode o próprio Deckard confiar nas suas memórias? Para além disso, porque haveriam de pôr um humano em perigo à procura de replicantes? Tal como é dito no filme, os replicantes faziam trabalho escravo para os humanos, faziam os serviços demasiado arriscados. Algo que se repara no filme é que, num determinado ângulo de luz, os replicantes têm um certo brilho no olhar. Numa cena em que Deckard fala com Rachel ele tem exatamente o mesmo brilho nos olhos que ela. Se Deckard fosse realmente humano, tal não aconteceria.
     Concluindo, do meu ponto de vista, Deckard é um replicante devido a certas atitudes que toma, à maneira como reage e o facto de nunca ter mencionado a sua família, o que me leva a duvidar acerca da sua humanidade.

segunda-feira, 2 de Junho de 2014

O que é a arte?

Nietzsche, Schelling, Tolstói, Bell, Collingwood, Goodman, Deleuze, Danto, Carroll e Levinson.

Lá estarei na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa para apresentar a resposta de Tolstói.


quinta-feira, 1 de Maio de 2014

Humanidade

Deixo aqui o início do Capítulo 12 do novo manual 50 Lições de Filosofia, 11.º Ano, de que sou autor, juntamente com Desidério Murcho. É sobre um tema que iremos discutir nas aulas, baseado num filme que é suposto os alunos terem visto. O tema é: tecnologia e humanidade.

Imaginemos que estamos num futuro em que a tecnologia está desenvolvida a ponto de nos permitir colonizar outros planetas. Imaginemos que a tecnologia nos permite criar, em avançados laboratórios de engenharia genética, andróides praticamente iguais aos seres humanos. Imaginemos que esses andróides podem até ser mais fortes, mais resistentes e mais inteligentes do que muitos seres humanos. Imaginemos que criávamos esses andróides para facilitar a nossa vida, pondo-os ao nosso serviço: por exemplo, enviando-os para outros planetas para desempenharem as tarefas mais difíceis e arriscadas; aquelas tarefas mais duras que os seres humanos não estariam dispostos a realizar. Sendo especialmente inteligentes, esses andróides poderiam um dia recusar-se a desempenhar tais tarefas e decidir viver a sua própria vida sem estar ao serviço dos humanos; sendo também fortes, talvez ninguém os conseguisse deter. Imaginemos que, para evitar tais perigos, os andróides foram concebidos e fabricados de maneira a que o seu período de vida fosse limitado a quatro anos. Sendo nós seres humanos, como reagiríamos, caso algum andróide se revoltasse? E se fôssemos andróides, como reagiríamos ao saber que iríamos durar apenas quatro anos, sempre ao serviço dos humanos?
Para nos ajudar a imaginar precisamente este futuro, o melhor é ver Blade Runner: Perigo Iminente, o filme de 1982, realizado pelo inglês Ridley Scott, que se tornou um dos mais destacados filmes de culto da história do cinema.

sábado, 5 de Abril de 2014

Boas férias da Páscoa... com música a propósito

aqui tinha sugerido isto há algum tempo, mas volto a insistir. Eu sei que poucos de vós ouvem este tipo de música, mas dêem o benefício da dúvida e experimentem ouvir com atenção. Talvez não seja má ideia ouvir diferentes tipos de música. 

segunda-feira, 31 de Março de 2014

Cruel

Como todos os géneros musicais, também a música pop tem coisas boas e coisas más. St. Vincent é pop e é boa. Vale a pena ouvirem outras músicas de St. Vincent. Contrariamente ao que se espera da música pop, talvez não se goste desta à primeira audição, pois soa algo estranha. Mas é quase sempre imaginativa, sobretudo na maneira invulgar como ela usa a guitarra.

domingo, 23 de Março de 2014

Hume e as percepções

Retirado do novo manual 50 Lições de Filosofia, 11º Ano (Didáctica Editora)

sexta-feira, 7 de Março de 2014

Aprender filosofia com a história da filosofia


Decorreu esta manhã a XV Conferência de Filosofia da Teixeira Gomes. O tempo correu depressa e o Professor António Pedro Mesquita, da Universidade de Lisboa, ainda tinha mais para dizer. O destaque foi sobretudo para a teoria da felicidade de Aristóteles, a principal influência das concepções do período helenístico, de que se destacam o epicurismo e o estoicismo. Muitos dos presentes ficaram com vontade de assistir a uma segunda conferência sobre as concepções clássicas da felicidade. Quem sabe se um dia... 

Entre as muitas ideias interessantes que nos foram explicadas, sublinho aquela com que o Professor António Pedro Mesquita iniciou a sua conferência, e que constitui a melhor justificação para o estudo da história da filosofia. Assim, antecipando a resposta para a pergunta sobre a utilidade da história da filosofia, o Professor António Pedro Mesquita argumentou que o seu estudo permite:

  • evitar "abrir portas abertas";
  • descobrir potencialidades não desenvolvidas na teoria original;
  • servir de modelo ou inspiração para novas retomadas de soluções já dadas;
  • em geral, ajudar a mapear um problema e as suas soluções;
  • ou a experimentar a coerência, solidez e força de determinado paradigma filosófico mais ou menos frequente (por exemplo, o aristotélico, o kantiano, etc.)

Como se vê, boas razões não faltam. Resta-nos agradecer, mais uma vez, ao Professor António Pedro Mesquita.



quarta-feira, 5 de Março de 2014