sábado, 23 de fevereiro de 2013
Já brincámos a pensar!
Filosofia para crianças? Mas agora as crianças também filosofam? Será que precisam disso, uma vez que pouquíssimas virão a ser filósofas? Humm..., será que faz sentido a filosofia para crianças?
Estas serão perguntas que passam pela mente de muitos que ouvem falar de filosofia para crianças. Dina Mendonça não esperou que lhe perguntassem isso. Ela própria se antecipou e respondeu.
Matemática para crianças? Mas agora as crianças também fazem matemática? Será que alguma vez precisam disso, uma vez que pouquíssimas virão a ser matemáticas? Humm... será que faz sentido a matemática para crianças?
Bom, mas as pessoas vão precisar de saber fazer contas, de conferir os trocos quando pagam algo, etc. Por isso precisam de saber algo de matemática para a sua vida.
Bom, mas as pessoas vão precisar de treino para enfrentar alguns problemas e dúvidas de carácter filosófico, precisam de saber pensar sobre muitas coisas, de saber fazer perguntas, de saber esclarecê-las e de compreender o tipo de respostas que se procuram. Pensar bem não é só não nos enganarmos nos trocos.
Foi este aproximadamente o tom da resposta com que Dina Mendonça começou a XIV Conferência de Filosofia da Teixeira Gomes.
Gostei da resposta. Obrigado, Dina.
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Brincar a Pensar
É já na próxima sexta-feira, às 17:00 horas, a XIV Conferência de Filosofia da Teixeira Gomes, com Dina Mendonça. Apareçam, pois ficam todos convidados.
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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Prova Oral em diferido
Aqui está o podcast com a minha participação no programa Prova Oral, de Fernando Alvim e Xana Alves, na Antena 3. Sobre filosofia, claro.
| Eu e os temíveis examinadores Fernando Alvim e Xana Alves. |
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Calendário dos exames nacionais de Filosofia - 2013
Sim, já estão marcadas as datas de ambas as fases dos exames nacionais de Filosofia (714). São as seguintes:
1ª fase:
20 de Junho de 2013 (quinta-feira), às 9:30.
2ª fase:
16 de Julho de 2013 (terça-feira), às 17:00.
Não esquecer que nestas provas são testados conteúdos do 10º e do 11º anos. Não esquecer também que todos os alunos internos e autopropostos em condições de realizar o exame têm de fazer a 1ª fase. Assim, os que faltarem à 1ª fase não poderão fazer a prova da 2ª fase, a não ser em casos excepcionais previstos na lei.
Já agora, aqui ficam também os prazos normais de inscrição:
Para a 1ª fase: de 18 de Fevereiro a 1 de Março de 2013.
Para a 2ª fase: 11 e 12 de Julho de 2013.
Como se sabe o exame de Filosofia é opcional. Já não têm muito tempo para se decidirem, pois o prazo de inscrições termina no fim deste mês.
1ª fase:
20 de Junho de 2013 (quinta-feira), às 9:30.
2ª fase:
16 de Julho de 2013 (terça-feira), às 17:00.
Não esquecer que nestas provas são testados conteúdos do 10º e do 11º anos. Não esquecer também que todos os alunos internos e autopropostos em condições de realizar o exame têm de fazer a 1ª fase. Assim, os que faltarem à 1ª fase não poderão fazer a prova da 2ª fase, a não ser em casos excepcionais previstos na lei.
Já agora, aqui ficam também os prazos normais de inscrição:
Para a 1ª fase: de 18 de Fevereiro a 1 de Março de 2013.
Para a 2ª fase: 11 e 12 de Julho de 2013.
Como se sabe o exame de Filosofia é opcional. Já não têm muito tempo para se decidirem, pois o prazo de inscrições termina no fim deste mês.
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Arte... para ver e pensar
Veias de Alcatrão é o título da exposição de Baltazar Torres, reportada no vídeo abaixo. Baltazar Torres, um bom amigo, tem gentilmente contribuído para os manuais A Arte de Pensar (Didáctica), de que sou co-autor. A obra de arte reproduzida, por exemplo, na capa de A Arte de Pensar, 11º Ano, é de sua autoria.
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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Prova oral de filosofia
Quem disse que já não há prova oral de filosofia? Eu serei submetido a uma na próxima segunda-feira, dia 11 de Fevereiro.
A prova é pública, na Antena 3, e os examinadores serão Fernando Alvim e Xana Alves.
Vamos ver se a matéria que vai sair na prova não é difícil.
Espero passar.
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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Saber discordar
Qual é a negação de «O João e a Joana amam-se»?
Parece fácil? Pois, mas não é. Que o digam os alunos do 10º N, que levaram algum tempo perdidos com tentativas falhadas, até chegarem à resposta certa. O que, de resto, mostra que gostam de pensar e de aprender.
Antes de dar a resposta, vale a pena dizer algo mais.
Como seria de esperar, os filósofos passam o tempo a discutir. Discutem porque discordam: aquilo que uns pensam ser verdadeiro outros acreditam ser falso. Isso é o que leva uns a negar o que outros afirmam. Por exemplo, se um filósofo A defender a tese de que temos livre-arbítrio e outro filósofo B negar tal tese, este filósofo B estará, por sua vez, a defender outra tese: a tese de que não temos livre-arbítrio. Neste caso é fácil ver que a negação da afirmação «Temos livre-arbítrio» é «Não temos livre-arbítrio».
Mas era bom que todas as negações fossem assim tão fáceis de compreender. Algumas teses filosóficas (e não só, claro) são mais complexas, pelo que temos de ter cuidado para não nos enganarmos a negá-las, caso nos pareça que não concordamos com elas.
As teses são aquilo a que se costuma chamar «proposições», as quais são expressas por meio de frases declarativas. A primera coisa que precisamos de compreender para negar correctamente uma dada tese ou proposição é a própria noção de negação. Ora, a negação é uma relação entre proposições, sendo que duas proposições são a negação uma da outra quando não podem ser ambas verdadeiras nem podem ser ambas falsas: a verdade de uma delas implica a falsidade da outra e vice-versa.
Por exemplo, a negação de «Alguns algarvios são inteligentes» não é, como precipitadamente certos alunos dizem, «Alguns algarvios não são inteligentes», até porque as proposições expressas por estas frases são ambas verdadeiras. Do mesmo modo, a negação da tese de que todo o conhecimento tem origem na experiência não é, como por vezes se lê até em manuais de filosofia, que nenhum conhecimento tem origem na experiência. Isto porque se, por hipótese, for verdade que algum tem origem na experiência e outro não, então ambas as proposições anteriores serão falsas. Ora isso nunca pode ocorrer entre duas proposições que se negam mutuamente.
Mas podemos dar outros exemplos complexos. Há filósofos que defendem, por exemplo, que se o determinismo é verdadeiro, então não temos livre-arbítrio (já agora, esta é conhecida como «a tese incompatibilista»). E, claro, há filósofos que discordam (os compatibilistas). O que defendem então os compatibilistas? Bom, estes defendem a negação da tese incompatibilista: que o determinismo é verdadeiro e que temos livre-arbítrio.
Regressemos agora à pergunta inicial. Parece que a negação de «O João e a Joana amam-se» é «O João e a Joana não se amam». Pois parece, mas não é!
E não é, porque ambas as proposições expressas pelas frases anteriores podem ser falsas, apesar de não poderem ser ambas verdadeiras. Para compreender melhor isto, imagine-se que o João ama, de facto, a Joana, mas que a Joana se está nas tintas para o João. Neste caso, a proposição de que o João e a Joana se amam seria falsa. Mas assim também a proposição de que o João e a Joana não se amam seria falsa, dado ser falso que o João não ama a Joana.
Concluindo, só há uma maneira de negar a proposição de que o João e a Joana se amam, que é a seguinte: o João não ama a Joana ou a Joana não ama o João.
Às vezes as pessoas pensam que estão a negar o que outros dizem e não estão a negar coisa alguma. É por isso que precisamos de aprender a discordar.
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Somos todos egoístas?
Foto: Aires Almeida
Eis a resposta de um filósofo à pergunta anterior. Pergunta e resposta encontram-se no interessante livro Que Diria Sócrates? (Gradiva), organizado por Alexander George. Podemos ler aí (na p. 237) o seguinte:
PERGUNTA«Estou convencido de que todas as acções humanas são motivadas por interesse próprio: mesmo as chamadas acções altruístas são levadas a cabo com o objectivo de redimir uma culpa, ou de obter aprovação por parte de outros, ou mesmo para usufruir daquele sentimento agradável que nos preenche quando sabemos que fizemos uma coisa boa (acção que é essencialmente egoísta, considerando que o indivíduo que a pratica recebe uma recompensa espiritual, em vez de uma recompensa material). Como discordariam desta posição?»
RESPOSTAPETER LIPTON: Há dias, estava eu a almoçar quando um diabinho poderoso me deu a escolher entre duas hipóteses: uma, os meus filhos singrarão numa vida próspera, mas eu viverei convencido de que eles vivem uma vida miserável ( o que faria sentir miseravelmente); a outra, os meus filhos viverão de facto uma vida de miséria, mas eu viverei convencido de que eles singram numa vida próspera ( o que me faria muitíssimo feliz). Assim que eu anunciar a minha escolha, a minha memória de ter feito a escolha esfumar-se-á; aliás, esfumar-se-á inclusive a minha memória de ter almoçado com o diabinho. sabe que mais? Vou escolher a hipótese «filhos felizes, eu miserável». Não sou nenhum anjo, mas este acto é altruísta.
domingo, 25 de novembro de 2012
Argumentos válidos
Foto: Aires Almeida
- Todos os argumentos bons são válidos?
- Sim, a validade é uma condição necessária para um argumento ser bom.
- E todos os argumentos válidos são bons?
- Não, a validade não é uma condição suficiente para um argumento ser bom.
Provavelmente a maior parte dos argumentos válidos não são bons, pois parece mais fácil dar exemplos de argumentos válidos que não são bons do que de argumentos válidos que sejam bons. Eis alguns exemplos de argumentos válidos que não prestam:
Exemplo 1
Deus existe.
Logo, Deus existe.
Exemplo 2
Deus existe e não existe.
Logo, Portugal fica em África.
Exemplo 3
Portugal fica em África.
Logo, Deus existe ou não existe.
Exemplo 4
Portugal fica em África.
Portugal não fica em África.
Logo, Deus existe.
Mas que são válidos, lá isso são.
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terça-feira, 13 de novembro de 2012
É dia da filosofia, vamos ao cinema!
Como tem sido habitual, os professores de Filosofia da ESMTG comemoram o Dia Mundial da Filosofia tentando filosofar um pouco. A ideia é cada um de nós partilhar com os outros a sua breve reflexão sobre um tema com algum interesse filosófico. Achamos que é mais apropriado comemorar o dia tentando praticar o ofício, ainda que modestamente, do que dizer coisas bonitas sobre a importância da filosofia. O tema é diferente todos os anos e neste foi decidido que cada um deveria escolher um filme filosoficamente interessante. Eis o meu texto, sobre um filme bem antigo: Grau de Destruição (Fahrenheit 451), de François Truffaut.
Felizes
dos ignorantes?
A que temperatura queima o papel? A resposta é: a 451
graus na escala de Fahrenheit. E essa é também a temperatura a que queimam os
livros, que são feitos de papel. Ora, Fahrenheit
451 é precisamente o título original do filme britânico, realizado em 1966
pelo francês François Truffaut, com base no livro do célebre escritor americano
Ray Bradbury (falecido no passado mês de Junho). Grau de Destruição é o (infeliz) título do filme em Portugal.
A história desenrola-se numa sociedade futura de grande
conforto material, a qual é zelosamente protegida por um governo (referido como
a família)
cujo único objectivo é manter as pessoas felizes. Está bom de ver que a família
(o governo) deve saber o que é a felicidade. Na verdade, a família sabe melhor
do que ninguém o que faz os seus membros (os governados) felizes. E sabe também
o que perturba a paz social e os torna infelizes. Assim, a família sabe melhor
do que ninguém o que, para o bem de todos, tem de ser evitado.
Mas o que poderá perturbar a paz social e a felicidade das
pessoas? A família tem a resposta: a paz e a felicidade são perturbados pelo
desconforto material, mas também pelo desconforto espiritual. O problema
material parece ter sido resolvido, pois as pessoas têm emprego, não passam
fome, vivem em boas casas e fazem muitas compras. Mas evitar o desconforto
espiritual é bem mais difícil, pois este tem origem não só no desejo
insatisfeito como na incerteza da dúvida. Nada pior do que pensar em perguntas
difíceis, confrontar-se com ideias divergentes e alternativas ou dar asas a uma
imaginação à solta. Quer dizer, a infelicidade encontra-se no pensamento
crítico, na filosofia, na literatura, na poesia, na história. Só que é isto que
abunda nos livros. Daí que os livros sejam verdadeiramente perigosos,
incendiando as ideias e abrindo caminho à infelicidade. Por isso têm de ser
banidos. O que as pessoas realmente precisam para entreter as suas mentes é
programas de televisão (vistos em enormes e elegantes aparelhos de TV) que não
as intranquilizem nem as façam pensar em coisas estranhas e complicadas: por
exemplo, devem entreter-se com concursos interactivos em que se tenta acertar nos títulos de canções
conhecidas, e coisas do género.
Mas há um problema: não basta proibir os livros, pois
podem ser lidos às escondidas. É preciso destruí-los. E essa é a tarefa dos
bombeiros, que vão às casas das pessoas suspeitas, procurando-os e queimando-os
com jactos de fogo à temperatura de... 451 graus Fahrenheit. É o que faz, com
grande dedicação, o bombeiro Guy Montag (Oskar Werner). Até ao dia em que fica
incomodado com uma leitora que prefere deixar-se queimar juntamente com os
livros do que perdê-los. Intrigado, Montag decide guardar sorrateiramente um
dos livros para ver o que leva algumas pessoas a correr o risco de vida por
eles. A partir daí, instala-se a dúvida no espírito de Montag. Incentivado pela
sua atraente e perigosa amiga Clarisse (Julie Christie), começa a pôr em causa
a sua profissão e acaba ele próprio por se tornar um ávido leitor. Só que, não
podendo correr o risco de guardar os livros, junta-se a um grupo secreto de
resistentes homens-livro, cada um dos
quais decorou um livro inteiro. Assim, cada pessoa é um livro e os resistentes
são uma biblioteca. «Que livro és?», pergunta-se a um deles. «Sou A República, de Platão, querem ouvir?».
Juntam-se à volta de A República e
ouvem. O conhecimento e a memória da humanidade são assim preservados
secretamente na intimidade dos resistentes.
Mas serão mesmo as ideias contidas nos livros fonte de infelicidade?
Seremos mais felizes se nos mantivermos ignorantes e não formos questionadores?
Quem sabe, afinal, o que nos faz felizes? Este é um filme que ilustra bem a
tese de que, em nome da felicidade geral e de uma concepção oficial do que é o bem, se podem urdir muitos totalitarismos
bem intencionados. Como se antevê também em Mil
Novecentos e Oitenta e Quatro, de George Orwell e em Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley.
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