Alguns alunos têm colocado dúvidas sobre a redacção de ensaios filosóficos. Para facilitar as coisas, remeto-os para este texto de Artur Polónio, que vos oferece instruções ainda mais detalhadas do que aquelas que encontram no final do 2º volume do manual do 10º ano e no caderno A Arte de Aprender a Pensar, do manual do 11º ano.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
sábado, 21 de abril de 2012
Opiniões sobre o teste intermédio
Foto de Ana Filipa
Convido os leitores, em especial os alunos do 11º ano, a deixarem na caixa de comentários as suas opiniões ou impressões sobre o teste intermédio de Filosofia, realizado na passada sexta-feira. De preferência, procurem justificar minimamente as vossas opiniões recorrendo a exemplos.
Já agora, aproveito também para vos remeter para os critérios de classificação.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Teste intermédio de Filosofia
Vários alunos me têm perguntado onde podem encontrar informações sobre o teste intermédio de Filosofia - 11º ano, que se realiza já no próximo dia 20 de Abril. Não é preciso dar mais voltas, basta clicar aqui!
Bom estudo.
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terça-feira, 10 de abril de 2012
Tempo de voltar ao estudo.
O tempo está assim, bom para voltar às aulas neste início do 3º período. Bom estudo!
sexta-feira, 30 de março de 2012
Quem se atreve a gostar disto?
A Paixão Segundo São Mateus é uma obra musical (a que se dá o nome de "oratório") escrita pelo compositor alemão Johann Sebastian Bach. Nesta obra revive-se, através da música e das palavras cantadas, o sofrimento que conduziu Jesus Cristo à cruz, onde acabou por morrer pregado. Para quem é cristão, não pode, portanto, haver música mais adequada para esta altura do ano: o período de quaresma que antecede a Páscoa é precisamente a altura em que se celebra a paixão (termo de origem grega, que significa sofrimento) de Cristo. A paixão de Jesus Cristo é descrita nos quatro evangelhos, um dos quais foi escrito por Mateus. Foi, pois, aí que Bach se baseou para escrever esta obra-prima da história da música.
Diz-se, pelas razões apontadas atrás, que A Paixão Segundo São Mateus é música religiosa. Mas o que é exactamente isso de a música ser religiosa? Será mesmo correcto chamar-lhe religiosa? E será que só quem é religioso poderá apreciar esta obra musical? E, já agora, qual dos leitores que não são cristãos nem sintam qualquer impulso religioso se atreve a gostar disto?
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segunda-feira, 12 de março de 2012
Moral, para que te quero? Outra vez
Foto: Aires Almeida
A resposta referida na postagem anterior, é uma boa resposta?
Note-se que não basta afirmar algo verdadeiro para que a resposta seja satisfatória. É também preciso que responda ao que, de facto, está em causa. Por exemplo, se alguém me perguntar qual é o atleta mais veloz do mundo e receber como resposta que Francis Obikwelu é um atleta muito veloz, não obtenho a resposta correcta, apesar de a afirmação ser verdadeira.
Ora, passa-se algo semelhante com a resposta do aluno à pergunta sobre se haveria alguma razão para não roubar, caso ele tivesse a garantia de que ninguém iria alguma vez descobrir tal coisa. A resposta do aluno foi que, caso ninguém soubesse disso, não seria vergonha roubar.
Em primeiro lugar, é verdade que vergonha não é roubar, mas sim roubar sem ser apanhado. Isto é assim porque o sentimento de vergonha por algo que fazemos envolve sempre a crença de que alguém sabe que fomos nós a fazê-lo. Portanto, se não acreditamos que alguém sabe disso, também não há qualquer razão para ter vergonha. O mesmo se passa, por exemplo, com o medo. Eu só posso ter medo de ser atacado se acreditar que há algo ou alguém que me pode atacar. Se acreditar mesmo que não há por perto qualquer ser que me possa atacar, então deixa de haver qualquer razão para ter medo.
Só que o aluno ainda não está a responder à pergunta colocada, pois esta não é sobre se isso é ou não é vergonhoso, mas sobre se há ou não razões para o não fazer mesmo que tenhamos a certeza de que não seremos apanhados. Claro que podemos dizer que ele está no fundo a defender que a única razão para não roubar seria apanhar uma grande vergonha e que, visto estar livre de a apanhar, deixa de haver razão para não roubar. Logo, caso tivesse o anel de Giges colocado, não veria qualquer justificação para agir moralmente (não roubando, não mentindo, não faltando às suas promessas, etc.) No fundo, não teríamos qualquer razão para ser morais.
Contudo, isto não é ainda satisfatório, pois podemos agora perguntar ao aluno por que razão haveria ele de sentir vergonha por ser apanhado a roubar. Por causa da censura dos outros? Mas não poderia estar-se nas tintas para o que os outros pensam disso? E, já agora, por que razão hão-de os outros achar vergonhoso roubar? Enquanto não conseguir dar uma resposta satisfatória a estas perguntas, o aluno ainda não terá conseguido defender adequadamente a sua ideia de que não há qualquer razão para sermos morais.
Em suma, o aluno disse algo verdadeiro, mas ainda não respondeu adequadamente à pergunta. Seja qual for a resposta correcta.
Concordam?
quarta-feira, 7 de março de 2012
Moral, para que te quero?
Foto: Aires Almeida
Por que razão havemos de ser morais, se isso parece ser muitas vezes desvantajoso para nós próprios? Não é verdade que, por vezes, seria vantajoso para nós não cumprirmos as nossas promessas? Não seria muitas vezes vantajoso para nós mentir ou até roubar?
Algumas pessoas respondem que, ao contrário do que parece, nunca é vantajoso para nós roubar, mentir ou deixar de cumprir as nossas promessas. Bem vistas as coisas, dizem, nunca podemos estar seguros de que os outros não venham a descobrir isso, pelo que isso acabará, mais tarde ou mais cedo, por se voltar contra nós próprios: sermos presos, não sermos levados a sério pelas outras pessoas ou elas deixarem de se relacionar connosco.
E se tivéssemos a certeza absoluta de que as pessoas nunca iriam descobrir que roubávamos, que mentíamos e que não cumpríamos as nossas promessas? E se tivéssemos, como refere o filósofo Platão, uma espécie de anel mágico -- o anel de Giges -- que quando é colocado no dedo torna as nossas acções indetectáveis pelos outros? Poderíamos, então, fazer tudo o que fosse mais vantajoso para nós, desde roubar, mentir ou não cumprir as promessas feitas sem qualquer receio de virmos a ser descobertos. Será que, nesse caso, não teríamos qualquer razão para não roubar, não mentir e não faltar à nossa palavra?
Fiz esta pergunta aos alunos do 10º ano numa aula. E, ao contrário do que alguns possam esperar, as respostas não foram todas no mesmo sentido -- o que não é novidade. Houve mesmo quem afirmasse seriamente que, caso tivesse a certeza absoluta que não seria apanhado, não via qualquer razão que o impedisse de roubar, de mentir e de faltar à sua palavra. A ideia é que não há qualquer razão para sermos morais, a não ser o receio de os outros levarem isso a mal e de, assim, nos complicarem a vida.
Procurando certificar-me melhor da posição do aluno, perguntei:
-- Serias capaz de roubar algumas das pessoas que estão aqui, caso tivesses a certeza absoluta que não serias apanhado?
-- Na boa! -- esclareceu o aluno.
-- Sem qualquer problema?
-- Problema porquê, professor? Aprendi que não é vergonha roubar; vergonha é roubar e ser apanhado.
Terá o aluno razão? Se não tiver, como se lhe pode responder?
A minha resposta fica para outra postagem. Adianto apenas que a última afirmação do aluno é verdadeira, mas não tem razão. Estranho? E qual é a vossa opinião?
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Filósofos e banalidades
Foto de Aires Almeida
Eis duas afirmações que encontrei em respostas de alunos a perguntas dos testes (uma delas num teste do 10º ano e outra num teste do 11º ano):
1. A teoria filosófica do subjectivismo moral caracteriza-se por defender que há diferentes opiniões sobre o que é moralmente correcto e o que é moralmente errado.
2. Uma das coisas que Descartes quer mostrar com o cogito é que para pensar é preciso existir.
É fácil imaginar a que perguntas se está a responder, mas não é isso que interessa agora. Prestemos antes atenção ao que se diz e pensemos se as afirmações anteriores são filosoficamente interessantes, ou sequer informativas.
Em 1 diz-se que há diferentes opiniões sobre questões morais. Mas haverá alguém que discorde disso? Qualquer pessoa sabe isso. Não precisamos de filósofos para descobrirmos tal coisa. Que há pessoas com opiniões diferentes sobre este e outros assuntos parece óbvio. Basta ouvir o que elas dizem e observar como discordam umas das outras. Assim, defender que há opiniões diferentes sobre o mesmo assunto é afirmar uma banalidade que dispensa qualquer justificação, uma vez que se trata de algo que qualquer pessoa pode observar directamente.
Em 2 diz-se que para pensar é preciso existir, e que é disso que o filósofo em causa nos quer convencer. Mas, mais uma vez, será preciso um filósofo reflectir tanto e gastar tantas das suas energias para mostrar o que, afinal, já toda a gente sabe? Claro que para pensar é preciso existir, tal como para tossir ou espirrar é preciso existir. Um filósofo que se dedique a convencer-nos de tal coisa não passaria certamente de um tolo.
Mas os filósofos não costumam ser tolos, pois não é suposto existirem para afirmar banalidades.
Se os filósofos e as teorias filosóficas servissem para nos mostrar o que já sabemos sem precisarmos sequer de filosofar, então os filósofos e as teorias filosóficas não serviriam de nada. Nesse caso, sim, aqueles que acusam os filósofos de defenderem tolices, apelidando-os de lunáticos, teriam alguma razão. Mas muitas pessoas chamam tolos e lunáticos aos filósofos precisamente porque pensam, erradamente, que eles se dedicam a dizer coisas como essas. É o que acontece quando interpretam apressadamente algumas das suas afirmações mais famosas, como «Penso, logo existo», «Só sei que nada sei» ou «O homem é a medida de todas as coisas».
Parece, então, claro que os subjectivistas morais não se caracterizam por defenderem que há diferentes opiniões sobre o que é moralmente correcto ou incorrecto. Isso é algo que tanto o subjectivista como o objectivista dão como certo. E também não é verdade que o objectivo do cogito cartesiano seja o de mostrar que para pensar é preciso existir.
Assim, o que recomendo aos alunos de filosofia quando lêem ou escrevem algo que lhes pareça uma banalidade, é que voltem atrás e pensem melhor nisso: talvez estejam a compreender mal as coisas e a tirar conclusões precipitadas. Não porque os filósofos estejam livres de dizer banalidades (por vezes, acontece encontrarmos filósofos que, por detrás de um palavreado complicado, acabam por dizer coisas que verificamos serem, afinal, banais), mas porque não é suposto os filósofos fazerem tal coisa. Aliás, se descobrirmos que um filósofo está, afinal, a dizer banalidades, esse filósofo deixa de ter interesse filosófico. Ora, é pouco provável que a maioria dos filósofos, sobretudo os que têm sido minuciosamente estudados e aqueles cujas teorias têm sido amplamente escrutinadas, como é o caso de Descartes, digam banalidades tão desinteressantes.
Mas só verificamos que estamos perante banalidades filosoficamente desinteressantes quando estamos a pensar mesmo no que lemos, dizemos ou escrevemos. É por isso que o mais importante para um estudante de filosofia não é tanto estudar (também é, sim, também é!), mas pensar cuidadosamente nas coisas. Dá trabalho, mas correm-se menos riscos de dizer disparates.
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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Calendário do exame nacional de Filosofia (2012)
As provas de exame nacional de Filosofia irão ser realizadas nas seguintes datas:
20 de Junho (1ª fase)
13 de Julho (2ª fase)Note-se que os alunos podem optar por realizar o exame de Filosofia em vez de uma das outras disciplinas da componente específica que escolheram frequentar. A prova de exame de Filosofia poderá ainda servir como prova de ingresso em mais de 190 cursos superiores de diferentes universidades.
Há ainda a novidade de todos os alunos terem de fazer as provas de exame na 1ª fase. Assim, não vão poder decidir fazer uma prova na 1ª e outra na 2ª.
Podem ver aqui informações mais detalhadas sobre a prova de exame de Filosofia.
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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Filosofia no Alentejo: o que é o conhecimento?
Estarei na próxima segunda-feira (dia 13 de Fevereiro) na Escola Secundária Manuel da Fonseca, em Santiago do Cacém, para falar do problema da definição do conhecimento, a convite do grupo de Filosofia dessa escola.
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