quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Saber fazer perguntas

Esta enorme pintura mural do artista renascentista italiano Rafael, intitulada A Escola de Atenas, representa os maiores filósofos da antiguidade em animada discussão. O encontro de filósofos descrito na história de Ned Markosian seria algo parecido a isto.

Um dos aspectos mais importantes da actividade filosófica é fazer as perguntas certas. Ao contrário do que muitos possam pensar, saber fazer perguntas é frequentemente tão ou mais difícil do que dar boas respostas.  Até porque as respostas dependem das perguntas e perguntas desinteressantes ou mal formuladas costumam ter como resultado respostas também elas desinteressantes e insatisfatórias. Num certo sentido, o bom filósofo é como o bom detective; é aquele que procura fazer as perguntas certas para atingir o seu objectivo, que é chegar à verdade. 

Esta pequena e interessante história inventada pelo filósofo americano Ned Markosian mostra bem como fazer boas perguntas não é uma tarefa fácil. 

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Novo blogue: cinema e filosofia


É possível aprender filosofia vendo cinema? Carlos Café, professor de Filosofia desta escola há vários anos, diz que sim e mostra como no blogue que acabou de criar precisamente para esse efeito. O novo blogue chama-se a filosofia vai ao cinema. E nós queremos ver a filosofia ir ao cinema e, já agora, aproveitar a boleia. Questões Básicas saúda o novo blogue de Carlos Café e deseja-lhe uma longa metragem vida. 

De regresso

Questões básicas está de regresso e com nova cara. Esperemos que gostem. Em breve actualizaremos também as ligações.

Aproveitamos também para desejar um bom ano lectivo a todos. E estamos sempre abertos às vossa colaboração, pois não há filosofia sem debate e discussão aberta das diferentes ideias. A filosofia não é uma coisa que se faz em solidão, como alguns pensam; exige uma comunidade de pares críticos e intelectualmente activos. Aliás, apresentar as nossas ideias para avaliação crítica dos nossos pares é um aspecto fundamental de toda a aprendizagem e não apenas da aprendizagem filosófica. 

domingo, 25 de julho de 2010

sábado, 17 de julho de 2010

O que eu penso sobre o valor da arte...


... está neste meu livro acabado de publicar pela editora do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa. Trata-se de um livro um pouco avançado para ser lido por alunos do secundário. Tem, contudo, algumas secções bastante acessíveis, que podem ser lidas por qualquer pessoa com genuínos interesses filosóficos, mesmo sem formação especializada na área. Críticas são sempre bem vindas.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Sugestões para férias: livros


Algumas pessoas pensam que as férias são boas apenas par nos dedicarmos a futilidades sem qualquer conteúdo, pensando que essas são as únicas coisas que realmente nos dão prazer e nos permitem relaxar. Mas essa opinião assenta, em meu entender, numa ideia muito mesquinha do prazer, que só aqueles que encaram o pensamento como algo doloroso podem partilhar. Pelo contrário, o pensamento, as ideias e o conhecimento são normalmente uma grande fonte de satisfação. Isso pode também ser alcançado lendo bons livros e não apenas as futilidades do momento. Deixo duas sugestões de leitura, que podem dar grande satisfação para quem gosta de pensar enquanto lê.

A primeira é um pequeníssimo livro de filosofia que não nomeia um único filósofo e que se dirige directamente ao leitor, sem lhe pedir seja o que for, além da sua disponibilidade para pensar com o autor. Foi escrito por um filósofo de renome, o americano de origem sérvia Thomas Nagel, para ser lido por jovens adolescentes. Intitula-se O Que Dizer Tudo Isto?

A segunda sugestão é de um clássico da literatura do século passado. Trata-se de A Metamorfose, de Franz Kafka. É também um livro muito pequeno, mas algo perturbador. Li-o quando era adolescente e impresionou-me muito.

sábado, 3 de julho de 2010

Sugestões para férias: Música

Os exames estão quase a terminar e para muitos alunos as férias até já começaram. É uma boa altura para, de uma forma descontraída, conhecer outras coisas e aproveitar para cultivar o espírito, com boa música, bons livros e bom cinema. Assim, deixo aqui algumas sugestões, começando pela música.

Sugiro dois discos, um de música pop-rock alternativa e outro de um jovem pianista de música clássica. Escolhi estes dois discos não só por conterem excelente música, mas principalmente porque não se ouvem a toda a hora na rádio.

O primeiro deles é de um quarteto de jovens, duas raparigas e dois rapazes, estudantes numa escola secundária do sul de Londres. É o primeiro disco dos The xx, que com pouquíssimos recursos instrumentais e de uma forma muito discreta, conseguem fazer o mais difícil: canções simples, mas inspiradas. Podem experimentar ver e ouvir  aqui ou, em alternativa, aqui a canção Islands, que faz parte deste disco.

O segundo disco é também de um jovem, desta vez trata-se do brilhante pianista francês David Fray, interpretando música genial de Johann Sebastian Bach. Experimentem ouvir, que vale mesmo a pena. Mas experimentem ouvir com o espírito aberto e sem preconceitos. Também podem ver aqui Fray a tocar música deste disco num ensaio com orquestra.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Exames

Estão aí os exames nacionais. Desejo boa sorte a todos os alunos. Escrevi um artigo para o Público sobre os exames nacionais. Pode ser lido aqui.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Discutir filosofia

É mesmo antes de começarem as aulas, no início do próximo ano lectivo. É sobretudo para professores, mas está aberto a todos. Se algum dos alunos das escolas secundárias de Portimão estiver interessado em ver como é e, por que não, participar, pode fazê-lo. Estes alunos podem inscrever-se sem ter de pagar inscrição. Basta contactarem-me.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Ética da clonagem

                                   Imagem do filme Gattaca, de Andrew Niccol

A discussão filosófica exige algum cuidado e subtileza, não dispensando frequentemente o recurso a informação empírica fidedigna e relevante. Verifico que a tendência para esquecer isso é particularmente notória em casos como a discussão sobre a moralidade da clonagem humana reprodutiva. Neste caso, a argumentação cuidada é tantas vezes substituída por cenários fantasiosos, que mais parecem inspirados nos filmes de Hollywood. Eis algumas dessas fantasias e ideias apressadas, que não têm qualquer sustentação na mais rigorosa informação disponível:

1. Se a clonagem humana reprodutiva for permitida, as pessoas passarão a ser quase todas iguais.

Mas por que razão iriam ser quase todas iguais? A não ser que só fosse permitido fazer clones de umas quantas matrizes seleccionadas, isso não faz qualquer sentido. Clones de pessoas diferentes são também diferentes.

2. Os clones não têm identidade própria.

Pensar que os clones não têm identidade própria é pensar que a personalidade de uma pessoa e aquilo que ela realmente é depende exclusivamente dos seus genes. Mas sabe-se que isto é pura e simplesmente falso. Há também quem diga que pessoas que partilham o mesmo ADN têm maior propensão para sofrer crises de identidade. Mas em que estudos sérios se baseia tal afirmação?

3. A clonagem põe em causa os processos naturais de reprodução.

Falso. A prática da clonagem não implica o fim da reprodução natural. Basta pensar que as pessoas que se opõem à clonagem com este mesmo argumento nunca iriam deixar de ter filhos recorrendo a processos de reprodução natural. As pessoas são diferentes e, por isso mesmo, querem coisas diferentes.

4. A clonagem não é um processo de reprodução natural.

Sim, e depois? Qual é exactamente o problema? Grande parte da medicina também não é natural e não tomamos isso como um mal. Bem pelo contrário. Usar lentes de contacto, pintar o cabelo e andar de avião também não são coisas naturais, mas ninguém acha isso moralmente inaceitável.

5. Os clones seriam o resultado de desejos egoístas dos seus progenitores.

Mas porquê? De resto, quantas vezes os pais não educam os seus filhos naturais em função dos seus desejos e não tanto dos próprios filhos?

E já nem sequer vale a pena falar na completa fantasia dos clones todos de olhos azuis e fartos cabelos louros, como se todas as pessoas gostassem do mesmo.