domingo, 24 de junho de 2012

Usar a cabeça

É na cabeça que, além do cérebro, estão também os olhos e os ouvidos. Olhos e ouvidos que, por sua vez, dão trabalho ao cérebro e o estimulam. Há quem diga que as férias escolares são a altura para deixar o cérebro em paz. Mas quando o cérebro é deixado em paz, são os olhos e os ouvidos que acabam por sair massacrados com todo o tipo de ruído visual e auditivo a invadir-nos sem qualquer filtro. 

Para aqueles que concordarem com o que disse atrás, deixo aqui algumas sugestões para as férias e que, em minha opinião, são bons alimentos para os olhos, os ouvidos e o cérebro. Penso que são sugestões adequadas a jovens dos 16-18 anos e respondem aos pedidos de sugestões de leitura, filmes e música que alguns alunos que fizeram.

Começo com uma sugestão que se destina simultaneamente aos olhos e ouvidos: Refiro-me ao concerto dos MozArt GROUP, um quarteto de cordas polaco mundialmente conhecido por tocar música clássica (e não só) com muito humor.  O concerto é no Teatro Tempo, aqui em Portimão, já no próximo dia 28 de Junho. Mas também irão passar pelo CCB, em Lisboa (dia seguinte) e pelo Casino da Figueira da Foz (dia 30). Aposto que mesmo quem não está habituado a ouvir música clássica irá gostar muito. Pena é que os bilhetes sejam um bocado carotes para tempos de crise (20 a 22 €).



Deixando os olhos descansar um pouco, e mudando de registo musical, sugiro Bad As Me, o último disco de Tom Waits. Não é o tipo de cantor que os adolescentes costumem ouvir, mas por isso mesmo o sugiro, pois é sempre bom alargar os horizontes musicais em vez de estar sempre a ouvir a mesma coisa.



Passando de novo para a cabeça inteira, recomendo dois filmes: um com alguns anos e outro mais recente. Estou a falar, em primeiro lugar, de Blade Runner, um filme de referência dos anos 80 do século XX, do realizador Ridley Scott, baseado num conto de ficção científica de Philip K. Dick, um dos melhores escritores do género. O segundo é Meia Noite em Paris, o último filme de Woody Allen. Este não é dos melhores filmes de Woody Allen, mas também não é dos piores. É um filme em que Woody Allen procura de forma divertida desmistificar a ideia de que a nossa época é desinteressante, quando comparada com outras épocas que habitam o imaginário de muitas pessoas cultural e artisticamente nostálgicas. Além de brincar com o lado fútil da arte e da cultura, é um filme visualmente agradável, em que a cidade de Paris surge com um encanto especial, mas discreto.



Por fim, recomendo dois livros. O primeiro é Admirável Mundo Novo, um clássico do século XX de Aldous Huxley, cuja história continua a inquietar os seus leitores. O segundo é A Vida de Pi, de Yann Martel, o jovem escritor canadiano nascido em Salamanca. Este é um premiado livro de 2001, que consegue tornar viva e credível uma incrível e emocionante aventura.


  

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