quarta-feira, 9 de maio de 2012

O objecto do conhecimento

Foto: Aires Almeida

Ainda a propósito do teste intermédio do 11º ano, gostaria de pôr à consideração dos leitores a resposta de uma aluna à pergunta 1 do Grupo III.

Eis o que se pede na pergunta.

1. Leia o texto seguinte.

Ser objecto do conhecimento não significa que algo pertence ao mundo exterior, como erroneamente se supõe na linguagem vulgar, quando se opõe mundo «mundo objectivo» a «mundo subjectivo». Uma ideia pode ser objecto de conhecimento, como esta mesa; uma dor e um sonho podem ser, por exemplo, objectos de conhecimento, sem, com isso, necessitarem de pertencer ao mundo exterior. «Objectivo» diz respeito ao objecto e não implica a existência do mundo exterior.
Delfim Santos, «Da Filosofia» in Obras Completas I, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1982 (página não indicada)

Esclareça o sentido da frase «Ser objecto do conhecimento não significa que algo pertence ao mundo exterior».


A resposta da aluna foi a seguinte:

O sentido da frase «ser objecto do conhecimento não significa que algo pertence ao mundo exterior» é o seguinte: nós não temos acesso, como defende David Hume, aos próprios objectos exteriores, se é que existem, mas apenas às percepções, que são impressões dos sentidos e ideias formadas a partir dessas impressões. Ora, como todas as percepções são conteúdos da nossa mente, nem sequer podemos dizer que há algo fora da mente. Logo, o autor está a dar razão a David Hume.


A cotação destinada a esta pergunta é de 20 pontos. Aos alunos pergunto se a acham uma boa resposta e porquê. Aos professores que eventualmente visitem o Questões Básicas pergunto o mesmo e mais outra coisa: como classificariam a resposta, tendo em conta os cenários de resposta e os descritores apresentados nos critérios gerais de classificação?

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